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Vinho do Mês de Novembro 2008 por Daniel Pinto


O VINHO DO MÊS: STEENBERG SHIRAZ 2005A história do vinho na África do Sul tem seu início pelas mãos dos holandeses que em 1655 aportaram em seu extremo sul, junto à região do Cabo da Boa Esperança, que acabou por se tornar importante pólo de convergência dos navegadores que cruzavam do Oceano Atlântico para o Pacífico. Nessa orla litorânea, a primeira videira foi plantada pelo médico holandês Jan Van Riebeck partindo daí para uma extensa área costeira, avançando posteriormente para o interior onde encontrou uma faixa sedimentar no vale do Rio Breede. Nesse complexo geográfico se estabeleceu a atividade vitivinícola daquele país que viu nascer o primeiro vinho em 1659. A circunstância histórica baseada em perseguição religiosa levou também para aquela região um contingente de cerca de duzentos franceses huguenotes estabelecendo-se numa área conhecida como Franschoek que significa “esquina dos franceses”. Do esforço laborioso do início da atividade, nasceu um vinho doce primoroso a partir da uva Moscatel chamado Vin de Constance que acabou por se tornar legendário sendo muito apreciado nas cortes européias onde reinavam Luis Felipe, Frederico o Grande, toda Casa Real Britânica, obtendo forte repercussão a ponto de ser inclusive citado em livros por célebres romancistas da época. O primeiro governador foi Simon Van der Stel, em cuja fazenda no histórico Vale de Constantia nasceu esse vinho. A história mostra que a África do Sul passou por longo e obscuro período de um regime de segregação racial, o “apartheid” no período de colonização inglesa, ofuscando o brilho daquele início promissor da atividade graças a forte boicote internacional. Em 1918 foi criada no país uma cooperativa denominada Kooperatiwe Wijnbouwers Vereniging – KWV, com normas rígidas e consistentes que orientou por grande período a produção africana do sul. Na década de 90 com a extinção do regime separatista, o vinho praticamente renasceu para o mundo tornando-se hoje uma grande referência em vinhos de qualidade. Além da própria Constantia, a produção se distribui por várias outras regiões como Stellenbosch, Paarl Wellington, Franschoek, Olifants River, Elgin, Walker Bay, Durbanville, Worcester, Robertson, Swartzland, Tulbagh, Klein Karoo e Orange. A uva Pinotage, cruzamento de Pinot Noir e Hermitage ou Cinsault é a grande estrela do país embora todas as cepas européias sejam aí tratadas com destaque, sobretudo as de origem francesa. O surgimento da Pinotage se deve a experimentos do insigne professor Abraham Perold em 1925.Steenberg, “Mountain of Stone” constitui aprazível recanto no Vale de Constantia tendo sido mesmo conhecido como Swaaneweide, local escolhido pelos cisnes para se alimentarem. Nesse local cheio de encantos foi fundada a Steenberg Vineyards por Catharina Ras, também conhecida como Widow Ras, controvertida personalidade que aos 22 anos aí aportou logo após a chegada de Jan Van Riebeeck, viúva várias vezes. Na verdade a área foi obtida junto a Simon Van de Steel de sua propriedade Groot Constantia aos pés da montanha de pedra. Depois dela a propriedade passou por vários proprietários, tendo muito tempo pertencido à família de Frederic Russouw e depois à família de Johannes Adriaan Louw e descendentes. Em 1990 foi adquirida pela empresa J.C.I. (Johannesburg Consolidated Investments) desenvolvendo grandioso projeto envolvendo além da vinícola, portentoso hotel. Em abril de 2005 o conglomerado de vinícola, hotel e campo de golfe foi finalmente comprado pelo grupo Graham Beck’s Kangra Group que administra a empresa até o momento. Com a fresca brisa do oceano, sofrendo a variação climática conforme os níveis de altitude que possui a região oferece solos variáveis calcários, ora arenoso, ora pedregoso ou mesmo granítico, além de faixas sedimentares. Frutificam aí as cepas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir, Shiraz, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Semillon e Muscat de Frontignan, dando origem a cerca de 60.000 caixas de vinhos por ano sob o comando de John Loubser e a enóloga Ruth Penfold além do responsável pela viticultura, Johann de Swardt.STEENBERG SHIRAZ 2005Foi submetido à fermentação maololática em barricas de carvalho francês e americano. O estágio posterior também em barricas de carvalho francês e americano se processou durante 12 meses. A graduação alcoólica se eleva a 15% e acidez de 5,9 g/litro com 2,5 g/litro de açúcar residual.VISUALVermelho retinto profundo.OLFATIVOIntenso e complexo, abundante de geléia de frutas como ameixa, amora e toques vegetais lembrando pimentão verde, coentro além da presença de tabaco. A evolução na taça permite observar a presença de sutil adocicado de baunilha. A madeira mostra-se discreta, deixando bom espaço para os demais componentes.GUSTATIVOPotente, intenso, de sabor elegante, macio e sedoso. A adstringência é delicada traduzindo a presença de taninos de alta qualidade. Repete a fruta do olfativo envolvida por leve untuosidade e longa persistência marcada pela baunilha. O álcool nem aparece tão bem integrado.AVALIAÇÃO: 90/100PREÇO: R$ 98,00IMPORTADORA: EXPAND – 3847-4747SaúdeDaniel Pinto – danipin@uol.com.br   


Criado em 06/11/2009.

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