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Vinho do Mês de Abril 2008


O VINHO DO MÊS: PLANETA CHARDONNAY 2005 - IGT

Sicília, a maior ilha do Mar Mediterrâneo, localizada junto ao extremo sul da Itália, separada do continente apenas pelo estreito de Messina, tem sido considerada propriedade de muitas nações ao longo de sua história. Com efeito, por ela passaram fenícios, gregos, romanos, góticos, bizantinos, mouros, normandos, franceses e espanhóis. Ainda hoje, influenciada por tão complicada mistura de civilizações, a mentalidade do siciliano não consegue sentir-se perfeitamente integrada à nação continental. Sua história conheceu transformações significativas, bastando citar que o magnífico TEMPLO DE APOLO E ARTEMIS construído pelos gregos em Siracusa foi transformado subseqüentemente em igreja bizantina, mesquita muçulmana, igreja normanda e ate quartel de espanhóis. Essa bagagem histórica iniciada 2.000 aC, com os fenícios, seguidos pelos gregos, 500 a 700 aC, é testemunhada por uma infinidade de construções representativas de cada civilização. O conhecimento sobre a videira e o vinho também acompanhou esses momentos históricos, iniciando os primeiros passos com os fenícios, cabendo aos gregos, no entanto, o mérito pela introdução de cepas de melhor qualidade, além do aperfeiçoamento das técnicas de cultivo. Ali fundaram a chamada Magna Grécia sendo mesmo reconhecida como Enótria Tellus (Terra do vinho), iniciando as atividades em Siracusa e Agrigento. Já na antiguidade eram famosos os vinhos sicilianos entre os quais se destacavam o MAMERTINO, o TAUROMENIO e o INICYNIO, de Messina, além daqueles produzidos nas fraldas do vulcão Etna. Na verdade, essa atividade constituía já naqueles tempos a espinha dorsal da economia tanto da região como da Itália como um todo. Nesse momento histórico floresce com vigor a atividade vitivinícola siciliana principalmente com o apoio de Sante Lancerio, curador de cantina do Papa Paolo III, descortinando-se assim um mar de vinhos representados pelos elegantes do Etna, os alcoólicos de Palermo, os “tintureiros” de Milazzo, os estruturados de Siracusa, os generosos e aromáticos das ilhas Lipari e Pantelleria, culminando com o emblemático Marsala, que acabou por tornar a Sicília famosa nesse contexto. Cabe registrar que no campo da gastronomia, a ilha também teve papel destacado e pioneiro, já que o primeiro livro de culinária que se tem notícia, nasceu pelas mãos do siciliano Mithaecus, no século V a.C.Diante de tão rico passado histórico, não me parece muito apropriado considerar essa notável região vinícola da Itália como “emergente” (?!) como tem sido divulgado em alguns textos. No tocante à produção ela esteve sempre entre os primeiros do país ocupando atualmente a terceira posição depois do Vêneto e Puglia. Durante muito tempo comercializou o vinho à granel, atividade comum à outras regiões. Na década de 70 empreendeu um forte movimento de modernização tecnológica aprimorando consideravelmente a qualidade em detrimento da quantidade e, talvez seja essa a razão por receber o indevido título de “emergente”. Porém, esse “boom” tecnológico ocorreu praticamente em todos os países produtores à essa época não sendo portanto, um motivo plausível para qualificar a ilha como “emergente”. De qualquer forma esse momento foi marcado também pelo trabalho consistente com cepas francesas em várias regiões com produção de verdadeiras preciosidades com essas variedades viníferas. A Sicília não foi exceção, brindando o mundo do vinho com exemplares de Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Chardonnay, etc.Família PlanetaA família Planeta, ligada à alta aristocracia siciliana, resolveu ligar-se ao mundo do vinho na década de 80 pela iniciativa de três primos, pretendendo resgatar a tradição histórica da ilha com a produção de exemplares com cepas tradicionais locais e também com uvas de outras origens como as francesas. A atividade da empresa acabou por encontrar seu galardão na década seguinte a partir da qual passou a ocupar lugar de destaque na crônica vitivinícola internacional. Assim, trabalham com nobreza a tradicional cepa Nero d’Avola para apresentar, por exemplo, o conhecido Santa Cecília, um varietal da mesma. Com a mesma e moderna técnica fazem desfilar vinhos de Chardonnay, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, em cortes entre si e mesmo com a Nero d’Avola. Aproveitam o grande potencial das principais sub-regiões notadamente da província de Agrigento. O trabalho iniciado com parcos 30 ha acabou ampliado para os atuais 330 ha divididos em parcelas distribuídas entre destacadas sub-regiões como província de Siracusa (Moscato di Noto), província de Palermo, província de Ragusa (Cerasuolo di Vitória), etc. A produção dos vinhos é feita em quatro modernas cantinas com equipamentos de última geração. Atualmente a empresa está sob a direção de Santi Planeta.PLANETA CHARDONNAY 2005Esse vinho foi fermentado em barricas de carvalho francês onde também estagia por 10 meses. Exibe teor alcoólico de 14 %.ANÁLISE VISUALVinho branco exibindo um amarelo ouro vibrante, límpido e transparente.ANÁLISE OLFATIVAGrande intensidade e temperamento onde se destaca a madeira com seus componentes mais nobres como baunilha e elegante tostado. Deixa, no entanto, espaço para a presença de frutas tropicais como abacaxi muito maduro ou mesmo em calda e, até um leve toque de doce de banana.ANÁLISE GUSTATIVABoa concentração de sabor com correta acidez. Corpo médio e marcada untuosidade que colabora decisivamente para polida maciez que completa um quadro harmônico onde nem o álcool em 14% se destaca. O final doce da baunilha se prolonga longamente.AVALIAÇÃO: 90/100PREÇO: CR$ 130,00IMPORTADORA: INTERFOOD – 3341-7255 – roberta@interfood.com.brSaúdeDaniel Pintodanipin@uol.com.br   


Criado em 06/11/2009.

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