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Importadora Decanter


Na noite de 16 de março, o Sommelier Guilherme Corrêa, conduziu nas dependências da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho em São Paulo, localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva 2586, Jd. Paulistano, telefone 3814 7905, uma degustação de vinhos espanhóis de diversas regiões produtoras.
Sobre Guilherme Corrêa: natural de Belo Horizonte, recebeu o título de sommelier da Associazione Italiana de Sommeliers - AIS, na Toscana, Itália. Em 2006, foi escolhido o melhor sommelier do Brasil e repetiu essa façanha em 2009. Por isso, foi o representante do Brasil no concurso “Concurso Panamericano de Sommeliers APAS/ASI”, realizado em maio ultimo na Argentina e chegou a ser finalista. O desfecho será agora em 2010. Atualmente, é Diretor Técnico da Importadora Decanter e redige catálogos, “garimpa” novos produtores, organiza cursos, conduz degustações e jantares harmonizados. Tornou-se referência no tema enogastronomia em nível nacional.
Sobre a degustação. Cinqüenta e quatro presentes. Casa cheia. Guilherme Corrêa apresentou uma seleção de sete vinhos espanhóis do portfólio da Importadora Decanter (http://www.decanter.com.br), num amplo espectro de regiões, tipos e preços. Como sói acontecer, Guilherme contagiou os presentes com seu entusiamo, simpatia e conduziu com o habitual brilhantismo a degustação. Discorrendo sobre a vitivinicultura espanhola, acentuou mais uma vez o grande favor da natureza para com a Península Ibérica, com destaque para a Espanha que ali construiu um dos melhores “terroirs” do mundo, em especial pelas condições do solo e clima, uvas autóctones, acrescentando a herança deixada pelos romanos para a vinicultura.
A propalada qualidade e tipicidade dos vinhos da Espanha trazidos pela Decanter foi justificada. A degustação iniciou com um delicioso e elegante Cava da região da Catalunha/Sant Sadurní D’Anoia/Barcelona, o Raventós i Blanc 2004. Na sequência continuamos no brancos, mas desta vez um vinho tranquilo, o aromático e refrescante Verdejo 2008, do novo produtor incorporado ao portfólio da Decanter, José Pariente. Na sequência adentramos nos tintos e começamos pelo Peique Viñedos Viejos 2006, elaborado com uma das castas do momento na Espanha que é a Mencía. Este vinho também é uma novidade e consoante avaliação abaixo agradou. Seguimos nos tintos e degustamos aquele que foi considerado por quem escreve essas linhas como o vinho da noite, o suculento e aveludado Luis Cañas Reserva Selección de la Família 2002, corte majoritariamente de Tempranillo "temperada " com 15% de Cabernet Sauvignon. Segundo informação passada por Guilherme, essa casta em pouco tempo terá sua utilização formalmente autorizada pela regulamentação local. A sua adição concorreu para a invulgar elegância desse vinho. Continuamos nos tintos, agora com um exemplar de Toro, o Tres Lunas Reserva 2002. No palato se mostrou um vinho potente e picante, de taninos redondos e de final um pouco adstringente sem comprometer o conjunto. O encerramento se deu com chave de ouro, porque o Jerez - Oloroso Dry 15 Años - El Maestro Sierra, encantou os presentes, principalmente aqueles que admiram essa bebida. José Luiz G. Pagliari, o “Don Jerez” descreveu-o da seguinte maneira: “amarelo castanho brilhante; aroma complexo de evolução, com frutos secos e algo amanteigado; na boca untuoso, e muito longo, com retrogosto de avelãs torradas. Dei 9,5 em 10 de persistência e poderia ter dado 10”. No jantar, o Cuveé Especial Reserva Navarra Pago de Cirsus 2003, teve desempenho satisfatório, mas um pouco abaixo dos demais. Ao final dessa singular degustação, Guilherme com toda humildade que caracteriza as pessoas verdadeiramente talentosas, foi ovacionado pelos presentes.
Obs. a frase "Magister Dixit", do latim, significa “E disse-o o Mestre”.


Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados:

Cava Raventós i Blanc Gran Reserva - região: Cataluña/Sant Sadurní D’Anoia/Barcelona - safra: 2004 – álcool: 12% - uvas: Xarel.lo (50%), Macabeo (20%), Parellada (15%), Chardonnay (10%) e Pinot Noir (5%) – preço: R$ 133,60 – Palha brilhante na transição para o dourado. Perlage fina e delicada. Borbulhas diminutas e com alguma intensidade. Complexo e balanceado no olfato com leveduras em primeiro lugar. Depois uma deliciosa nota tostada sobre fruta madura que passa a dominar o conjunto. Na boca confirma a elegância sinalizada no nariz. A adição de Chardonnay e de Pinot Noir conferiu-lhe singular finesse. Cremoso, estruturado e expansivo, no palato a sua pedra angular é o frescor e mineralidade, comum nos cavas de boa procedência. Saboroso e intenso, tem bom final e deixa uma nota tostada no retrogosto. No contra-rótulo uma rara e importante informação para o consumidor: a data do dégorgement: 23.06.2009 Vai ganhar complexidade na garrafa nos próximos anos. A safra 2003 obteve
88/100 pts. no Guia Peñin 2009.
Avaliação: três taças (88,5/100 pts.)



José Pariente Varietal Verdejo - Origem: Espanha – região: Rueda/Valladolid/La Seca - safra: 2008 – álcool: 13% - uva: Verdejo – preço: R$ 75,00 - Palha esverdeado brilhante. No nariz uma verdadeira explosão de aromas com destaque para frutas tropicais como maracujá e carambola no primeiro plano. Em alguns momentos chegou a evocar um Sauvignon Blanc do Novo Mundo tamanha a semelhança de perfil. Após algum tempo a paleta aromática se desenvolveu com notas florais e de frutas brancas sobre um fundo mineral. Ótima sustentação na taça. Na boca subscrição total desses aromas com profundidade e intensidade. Uma sensação cremosa domina o palato, o álcool na medida e a acidez pungente lhe garantem frescor acima da média. Termina redondo, fresco e frutado. Segundo Guilherme, tem potencial
de guarda de até quatro anos.
Avaliação: três taças (89/100 pts.)

Peique Viñedos Viejos – Origem: Espanha – região: Bierzo/Valtuille de Abajo/León – safra: 2006 – álcool: 14,5% - uva: Mencía – preço: R$ 95,00 – Rubi intenso, profundo com borda violácea. Inicialmente, no nariz, apresentou uma sobra de álcool que depois cedeu para toques balsâmicos, chocolate, frutas negras (amoras/ameixas) sobre um fundo tostado. Na boca é quente, estruturado, carnudo com taninos de boa textura contrabalançados por acidez gastronômica. Cremoso, expressivo, termina intenso e redondo. Serve de bom exemplo para quem desejar conhecer a casta. A safra 2005 obteve 90/100 pts. no Guia Peñin 2009.
Avaliação: três taças (88/100 pts.)


Luis Cañas Reserva Selección de la Família - Origem: Espanha – região: Rioja Alavesa/Villabuena de Alava - safra: 2002 – álcool: 14,5% - uvas: Tempranillo (80%), Cabernet Sauvignon (15%), Graciano e Garnacha (5%) – preço: R$ 137,85 – Rubi violáceo intenso, profundo com levíssimo halo de evolução. No olfato apresentou gostosos aromas frutados, madeira fina (cedro), balsâmico e um love toque de cassis sobre um fundo defumado. Na boca é um vinho suculento, de taninos extremamente macios, com tudo no lugar certo: acidez, álcool, taninos, frescor, fruta e madeira tudo entrelaçado harmonicamente a resultar num vinho delicioso, profundo, mineral, muito vivaz e de longa vida na garrafa. A adição de 15% de Cabernet Sauvignon contribuiu decisivamente para dar um perfil sublime a este verdadeiro best buy ibérico, eis que apesar de não custar pouco, oferece qualidade elevada, por preço inferior a de seus congêneres. Deve crescer ainda mais à mesa, apresentou excelente tipicidade e ainda vai aguentar uns bons anos na garrafa. Nesta safra obteve 89/100 pts. do Guia Peñin 2009 e também alcançou 93/100 pts. de Robert Parker e 90/100 pts. da WS na safra anterior,2001.
Avaliação: quatro taças (90,5/100 pts.)

Gil Luna - Tres Lunas Reserva - Origem: Espanha – região: Toro/Zamora - safra: 2002 – álcool: 14% - uvas: Tinta de Toro (95%) e Garnacha (5%) – preço: R$ 107,00 – Rubi intenso com halo de evolução. Balsâmico e herbáceo apresenta uma sugestão de fruta madura no olfato. Na boca a sua entrada é quente (álcool elevado), taninos redondos, leve prevalência da madeira sobre a fruta com boa concentração de sabor ligeiramente picante a lhe conferir personalidade. Médio frescor, razoável persistência e pequena adstringência no final sem comprometer o conjunto. Obteve 89/100 pts. do Guia Peñin 2009 – safra 2004.
Avaliação: três taças (88/100 pts.)


Jerez Oloroso El Maestro Sierra 15 años - Origem: Espanha – região: Andaluzia/Jerez de la Frontera - safra: n/c – álcool: 19,5% - uva: Palomino Fino – preço: R$ 92,60 – amarelo castanho brilhante. Aroma complexo de evolução com frutos secos e leve amanteigado; notas de caramelo e frutas secas. Na boca untuoso, mineral, crocante e muito longo com retrogosto de avelãs torradas. Obteve 91/100 pts. de Robert Parker em 01.02.2007
Avaliação: quatro taças (92/100 pts.)


Pago de Cirsus Cuvée Especial Reserva Navarra - Origem: Espanha – região: Navarra/Ablitas - safra: 2003 – álcool: 14% - uvas: Tempranillo (40%), Merlot (40%) e Cabernet Sauvignon (20%) – preço: R$ 125,30 – Rubi violáceo com halo de evolução, se distinguiu no olfato por conta de suas notas frutadas e balsâmicas. Boca franca, macia, medianamente complexa, com alguma fruta e madeira sem incomodar. Picante, os elementos álcool, taninos e acidez estão em sintonia. Termina com leve adstringência e um pequeno amargor. Obteve 87/100 pts. do Guia Peñin 2009.
Avaliação: três taças (85,5/100 pts.)


As notas acima resultam da média das avaliações de Jeriel da Costa, José Luiz G. Pagliari, José Henrique de Paula Eduardo, Márcio Guedes e Rodrigo Mammana.


Tabela de Notas
ruim = abaixo de 60 pts.
insatisfatório = 60 a 69 pts.
meia taça = 0,5 pt.
uma taça = 70 a 79 pts.
duas taças = 80 a 84 pts.
três taças = 85 a 89 pts.
quatro taças = 90 a 94 pts.
cinco taças = 95 a 100 pts.


Criado em 16/03/2010.

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