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"Trapiche - a riqueza da diversidade"Apresentada por Importadora Interfood em 05/07/2007. Comentada por Jeriel da Costa. BODEGAS TRAPICHE, a riqueza da diversidade. Apresentada por Sérgio Case e Julian Orti. Texto de Jeriel da Costa com a colaboração de André Schmid Amaral Gurgel A Argentina é um país que se localiza entre a cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico na parte meridional do continente americano e que têm cerca de 37 milhões de habitantes distribuídos em 23 Províncias. Possui a 8ª maior extensão territorial do planeta. É o 5º maior produtor mundial de vinhos e o 10º exportador. Sua principal região vinícola, Mendoza (localizada há 2.500 km ao norte da Patagônia), não sofre influência marítima porque está localizada há 1.000 km do oceano Atlântico e sofre forte incidência do sol o ano inteiro devido ao clima seco que propicia poucas chuvas. A amplitude térmica é grande e isso favorece a vinicultura. Depois de Mendoza, as demais regiões vinícolas do país são: Calchaquies, La Rioja, San Juan e a Patagônia. Nesse contexto, a Trapiche é uma vinícola histórica fundada há 124 anos por Tibúrcio Benegas. Foi a primeira em tudo, especialmente ao posicionar-se no mercado externo quando os vinhos argentinos ainda não eram conhecidos internacionalmente. Também passou a se destacar ao armazenar os vinhos em pequenos barris de carvalho. Pertenceu a diversas ramificações da família Pulenta e atualmente está nas mãos do grupo americano Lufkin & Jenret. Como outras vinícolas, está explorando as características de diferentes terroirs mendocinos para a casta malbec. A cada safra surgem novos estilos de vinhos o que caracteriza o seu dinamismo. A qualidade da vinícola sempre foi boa, mas faltava-lhe alguma coisa que a destacasse no conjunto de produtores argentinos. Esse quadro mudou em 2002, quando o enólogo Daniel Pi ingressou na vinícola. Seu projeto mais interessante é uma família de Malbecs de vinhedo único. O enólogo trabalha junto com vários viticultores e seleciona lotes de vinhos de vinhedos específicos após uma degustação às cegas. A base argentina de vinhedos é dominada por pequenos vinhedos -- existem 30 mil em Mendoza, a região produtora mais importante do país como sobredito, mas apenas 900 vinícolas. Muitas vinícolas normalmente compram uvas de um grande número de pequenos viticultores. A Trapiche estreou seus vinhos de vinhedo único em 2005, com a safra 2003, e foram, de longe, os melhores vinhos que a Trapiche já produziu. Todos os anos, o Daniel Pi planeja escolher apenas três vinhos para preparar o corte do programa de vinhedo único. A recompensa é o engarrafamento com o nome de cada viticultor no rótulo. A idéia é que os viticultores concorram entre si pela honra, melhorando a qualidade, e todos – o viticultor, a vinícola e o consumidor -- saem ganhando. Por fim, cabe destacar que seus vinhos são exportados para a Noruega, Dinamarca, Índia, Angola, Ilhas Maurício, Curaçao e principalmente para o Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. Atualmente, a Trapiche conta com nova importadora: INTERFOOD, com sede em São Paulo, Capital, que faz ampla distribuição nos principais supermercados, lojas especializadas e varejo em geral. A degustação foi precedida de uma palestra do Enólogo da Trapiche, Sérgio Case e do Gerente de Exportação para América do Sul, Julian Orti, que conduziram a apresentação com simpatia e competência. Os vinhos degustados se mostraram equilibrados, macios, típicos, de qualidade muito boa e alguns se destacaram no quesito que mais interessa ao consumidor: preço acessível. Até os vinhos mais caros se mostraram muito interessantes, consoante avaliações abaixo: VARIETAL TORRONTÉS Origem: Argentina – safra: 2006 – álcool: 13,5% - região: Mendoza - uva: Torrontés Riojano - preço: 16,25 Coloração amarelo palha brilhante com reflexos dourados. Nariz apresentando boa complexidade aromática, com toques florais típicos da casta (jasmin e pétalas de rosa) e frutados (maracujá). Boa persistência olfativa. Na boca, apresentou certa doçura, médio corpo, acidez “picante” e agradável frescor. Retrogosto com notas de frutas maduras e um certo amargor. Vinho fácil de beber que apresenta um interessante binômio custo/benefício. Avaliação: duas taças (84 pts.) CHARDONNAY ROBLE Origem: Argentina – safra: 2006 – álcool: 14% - região: Mendoza - preço: R$ 26,67 Cor amarelo palha na transição para o dourado. Olfativamente mostrou bastante complexidade, com destacadas notas de baunilha, fruta madura (abacaxi e pêssego), amanteigado, mel e tostado. Na boca, também apresentou madeira bem marcada dando espaço para fruta, com notas cítricas e de abacaxi maduro. Corpo e acidez médios. No fim de boca apareceu um toque resinoso e um leve amargor. Estilo “New World” com muitos apreciadores. Vinho pronto, que apresenta uma boa relação preço/qualidade. Avaliação: três taças (85 pts.) BROQUEL BONARDA Origem: Argentina – safra: 2005 – álcool: 14% – região: Santa Rosa/Mendoza - preço: R$ 32,00 Cor rubi violáceo intenso com bordas arroxeadas demonstrando juventude. No nariz, o ataque inicial é interessante, com notas de frutas vermelhas, côco queimado, leve defumado, toques florais (violetas) e finaliza levemente herbáceo. Sua complexidade olfativa chamou atenção dos degustadores. Na boca, as sensações aromáticas foram confirmadas. O vinho se mostrou quente, redondo, de textura macia, com taninos polidos e adocicados, madeira muito bem casada com a fruta (madura), corpo médio e retrogosto longo, de notas frutadas. Vinho que apresenta destacada relação preço-qualidade e que foi a grande surpresa da noite, visto que os vinhos platinos dessa casta normalmente são simples, neutros e sem muita complexidade (com raras exceções) e são muito utilizados em cortes com a casta malbec. A sua boa estrutura lhe confere um tempo razoável de guarda. Avaliação: três taças (88 pts.) MEDALLA CABERNET SAUVIGNON Origem: Argentina – safra: 2004 – álcool: 14% - região: Cruz de Piedra/Mendoza – preço: R$ 89,96 Cor rubi violáceo mais intenso do que o anterior com pequeno halo de evolução. Nariz complexo apontando para cassis, geléia de frutas vermelhas, pimentão verde, toques tostados e vegetais, com boa intensidade. Boa entrada na boca, mostrando as características da cepa, muito bem adaptada aos solos argentinos, com taninos finos e musculosos, notas de licor de cacau, fruta madura, madeira bem trabalhada, rico e opulento. Retrogosto médio/longo. Já está pronto, mas possui estrutura para média/longa guarda, preferencialmente em adega climatizada. Avaliação: três taças e meia (89,5 pts.) ISCAY Origem: Argentina – safra: 2004 – álcool: 14,5% - uvas: malbec (50%) e merlot (50%) - região: Maipú/Mendoza – preço: R$ 143,72 Cor rubi violáceo quase retinto, sem halo de evolução. Nariz fechado que lentamente abriu e mostrou todo seu potencial e complexidade: toques herbáceos e terrosos, geléia de frutas vermelhas, ameixas, alcaçuz, noz moscada e carvalho evidente mas elegante. Boca macia, taninos presentes (muito finos) lhe conferindo grande corpo. Vinho que enche a boca. Na realidade, é um vinho carnudo, que devido à sua massa tânica se torna “mastigavel”, complexo e prazeroso, daqueles que não devem faltar em nossa adega. Está jovem e ainda vai se mostrar. Sobre ele, o interessante Guia “Los Buenos Vinos Argentinos 2007” de Elisabeth Checa e Martín Cuccorese anota: “...excepcional corte de malbec-merlot em partes iguais. Inicialmente foi concebido por Angel Mendoza em parceria com Michel Rolland, que já assessorou a vinícola. Os dois enólogos chamaram-no de ISCAY, que em idioma quechua significa “dois” – da paixão de Angel Mendoza por malbec e de Rolland por merlot. Vinho de equilíbrio absoluto devido ao seu largo envelhecimento em barrica. Para beber já ou guardá-lo nas melhores condições nunca por menos de dez anos. Desde que surgiu, é o tinto mas imponente da vinícola”. Avaliação: quatro taças (90,5 pts.) As notas acima são resultado da média das avaliações de: André Schmid do Amaral Gurgel, Glauber H. Pereira, Marcos R. Santo Mauro, Miguel Alberto Lopes, Jeriel da Costa e José Henrique de Paula Eduardo. Tabela de Notas ruim = abaixo de 60 pts. insatisfatório = 60 a 69 pts. meia taça = 0,5 pt. uma taça = 70 a 79 pts. duas taças = 80 a 84 pts. três taças = 85 a 89 pts. quatro taças = 90 a 94 pts. cinco taças = 95 a 100 pts. |
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